Os dois lados do futebol brasileiro
6 de fevereiro de 2010 por: Ogirdor
Quando em 1998, Corinthians e Cruzeiro travaram três partidas sensacionais nos quais a estrela do renascido atacante alvinegro Dinei brilhou e então foi estampada em cima do escudo do time do povo para simbolizar para sempre a conquista do bicampeonato brasileiro, nascia em mim a paixão pelo futebol e por tudo que o cerca.
Mesas redondas… Debates… Lances polêmicos… Gols!
Os anos se seguiram. O Corinthians foi tricampeão Brasileiro em 1999 e Mundial em 2000, no entanto, tão grande quanto a alegria pelos títulos foi minha decepção ao conhecer cada vez mais os bastidores lamacentos do esporte.
Em 2005 o Corinthians virou quintal da Máfia Russa. Ganhou um campeonato manchado pelo escândalo das adulterações de resultados, protagonizado pelo ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, e pelos dois anos seguintes saiu do caderno de esportes e foi para as páginas policiais, envolvido num grande esquema de lavagem de dinheiro.
E citei isso apenas como exemplo, pois existem inúmeros casos em que dirigentes, empresários e até técnicos se organizam como gangues para praticar toda sorte de atos sujos em benefício financeiro próprio. Já houve até CPI’s que investigaram, provaram e denunciaram tais atos, mas que acabaram em pizza, como tudo por aqui.
Sem falar nas torcidas organizadas e os absurdos atos de violência em que sempre estiveram envolvidas. Desde a briga campal em que virou o estádio do Pacaembu em 1995 na final da Copa São Paulo de Juniores entre são-paulinos e palmeirenses, até as lamentáveis cenas de violência protagonizadas pela torcida do Coritiba no jogo que marcou a queda da equipe para segunda divisão no ano passado.
A imprensa esportiva que deveria estar atenta e pronta à combater tudo isso, como manda a cartilha do bom jornalismo, se tornou cúmplice, pois é tudo em nome do dinheiro. Uma vez que o futebol precisa da mídia e a mídia precisa do futebol. É o famoso “uma mão lava a outra” e as duas estapeiam o pobre torcedor.
Felizmente existem as exceções. Há quem faça jornalismo de verdade, como o incansável Juca Kfouri e o destemido Jorge Kajuru que carregam consigo históricos profissionais de muito luta por um futebol limpo.
O que faremos nós apaixonados pelo esporte diante destes dois lados do futebol brasileiro? Deixamos de torcer?
Justo nós, que deixamos de fazer qualquer coisa no domingo pra ver nosso time em campo. Que choramos e sorrimos de acordo com o resultado da partida. Que paramos o país de quatro em quatro anos para ver a seleção brasileira jogar a Copa do Mundo.
Não. Claro que não. Pois diz a velha frase que quem nasceu em solo pentacampeão Mundial não desiste nunca.
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